Têm sido recorrentes os artigos sobre os benefícios da bicicleta na saúde, os benefícios do exercício com bicicleta, os benefícios de pedalar... Este podia ser mais um, mas em vez disso vou-vos contar na 1ª pessoa a forma como a bicicleta se tornou para mim um estilo de vida.

  Actualmente utilizo a bicicleta para 3 coisas distintas: lazer, desporto/competição e transporte para o trabalho. Até há 5 anos atrás não fazia desporto, nem gostava. E a certa altura subir um lanço de escadas era suficiente para me sentir cansada. A verdadeira gota de água foi quando numa daquelas corridas/caminhadas da Luta Contra o Cancro a minha mãe ficou à minha frente. Aí pensei – “alto lá, se calhar é melhor começar a fazer qualquer coisa e pensar na minha saúde”. Quem não tem grandes histórias com bicicletas em criança? A nossa primeira bicicleta, as quedas, as descidas em monte com o material quase todo a desintegrar-se... A minha cara metade torceu logo o nariz a esta ideia, pois achava que a bicicleta ia ser apenas um elemento decorativo no corredor de casa. Mas, eu estava decidida a reviver as histórias de quando era mais nova e comprei a bicicleta.

Lazer

  Assim começou a mudança: umas idas ao parque da cidade, uns passeios à beira-mar, umas ciclovias aqui e ali, muitas fotos, e a coisa até que me estava a parecer bem. Não era a minha primeira bicicleta, mas assim parecia, tal era a liberdade que dava. Numa ida à Serra do Gerês lá foi a bicicleta atrás. Com a minha fraca preparação física as subidas estavam dificeis de trepar, mas a paisagem e as descidas compensavam. Foi aí que surgiu um outro gosto, o BTT, por permitir chegar a sítios que um carro não pode, pelo maior contacto com a natureza, pela ida à aventura e pela adrenalina das descidas.

Desporto/Competição

  Depois disso surgiu a primeira prova BTT, à qual me convenceram a ir porque era em Aveiro e por isso seria plano e haveira porco no espeto. Mas era uma meia-maratona de 50km e eu não sabia se ia aguentar, e foi difícil, muito difícil. Claramente não tinha preparação, demorei umas 6h (o que dá uma média miserável e um lugar na classificação nas últimas linhas da tabela), com pelo menos uma queda que me lembre pelo caminho, com muita lama, trilhos complicados e praticamente já sem forças para continuar, lá fui sendo literalmente arrastadas nos últimos quilómetros até à meta. Apesar de nunca ter estado tão cheia de lama, ou cansada, no dia seguinte dizia que aquilo tinha sido espectacular, alguns trilhos afinal tinham sido bastante bons, o espírito e camaradagem do pessoal que se conhece pelo caminho era 5 estrelas e o merecido almoço no final para unir os ciclistas. O bichinho da bicicleta já cá estava, e até já tinha o espírito de sofrimento do desporto. Afinal estava eu já viciada e a querer melhorar a condição física e técnica. Ao longo do tempo comecei a deixar de estar na lista dos lentinhos nas provas BTT e comecei a ganhar posições.

Meio de Transporte

  A certa altura comecei também a utilizar a bicicleta para ir para o trabalho, quando reparei que estava apenas a 10mins, que era bastante menos que o tempo que demorava indo de transportes públicos. E assim foi, agora a bicicleta já não era só para fazer desporto, era também o meu meio de transporte predilecto, faça chuva, faça sol ou mesmo neve. 5 anos depois já conto muitos quilómetros, muitos troféus, muitas viagens, sendo a mais épica a travessia da Escócia costa a costa (a relatar num próximo artigo) e planos de viagens para fazer que nunca mais acabam. Hajam férias para pedalar tudo o que quero! A bicicleta deixou de ter as reticências que lhe coloquei no ínicio, deixou de ser puramente desporto por obrigatoriedade, deixou mesmo de ser um desporto. Para mim é um estilo de vida!