A origem do desporto

A actividade desportiva está a ser cada vez mais procurada e valorizada nos nossos tempos, com diversas modalidades e práticas adequadas às necessidades de cada um.

A vertente competitiva era a mais habitual nas práticas desportivas, mas nos últimos tempos tem-se notado uma crescente aderência das pessoas às práticas desportivas sem vertente competitiva, apenas para manterem o equilíbrio do corpo e da mente!

Mas afinal, todos sabemos o que é desporto, mas sabemos as suas origens?

 

“ Desde os primórdios da sua existência que o Homem sente necessidade de se movimentar, trabalhar para sobreviver, fazendo exercícios de forma involuntária e necessária ao homem ancestral, para desenvolver as suas capacidades físicas, sem que disso toma-se consciência directa.

Com o passar do tempo e a evolução da civilização humana, as tarefas dos ancestrais como caçar, nadar, pescar e lutar, evoluíram também e perderam o papel principal de subsistência. Assim não encaravam estas actividades como desporto, porque nem sabiam o que este era, consideravam-nas sim, actividades físicas, as quais desde sempre e de forma espontânea e instintiva foram realizadas por estes com o intuito de crescerem no mundo repleto de condições adversas em que habitavam.

Várias descobertas de utensílios e pinturas rupestres do homem pré-histórico, datadas de mais de 30000 anos, realizadas em vários países permitem afirmar que o aparecimento das actividades físicas coincide com o aparecimento do homem.

Homem pré-histórico

Como todas as actividades são realizadas de forma exaustiva mas inconsciente, o homem foi melhorando o seu corpo tanto a nível exterior como interior, aperfeiçoando a forma física, sentidos e funções orgânicas que deste modo lhe permitiram possuir um maior domínio sobre a natureza e consequente sobrevivência.

Esta característica pode ser explicada através da “Lei do uso e desuso”, de Lamarck (Lei de Lamarck: Segundo Lamarck o ambiente condiciona a evolução, levando ao aparecimento de características que permitem aos indivíduos adaptarem-se às condições do ambiente onde vivem. A adaptação representa, então, a necessidade que os seres vivos possuem de desenvolver características estruturais e funcionais que lhes permitem sobreviver em determinado ambiente), que sendo aplicada ao homem ancestral nos diz que o seu físico apurado se deve à sua própria utilização ao longo dos tempos. “

Onde nasceu o desporto?

“ Assim, a actividade física e o desporto evoluíram na civilização Grega, que já possuía um desenvolvimento bastante elevado e que encarava o jogo como um acto cujo objectivo era aprimorar a pessoa tanto física como mentalmente.

A prática destas actividades deu lugar a outras formas de se relacionarem fisicamente durante os festivais religiosos onde os jogos obedeciam a regras, que se desenvolveram ao longo dos tempos dando origem a vários outros desportos contemporâneos.

Podemos dizer então que o aparecimento do desporto, tal como hoje o entendemos se deu na Grécia, em que o expoente máximo foi o aparecimento dos jogos olímpicos, apesar de não serem os únicos jogos da época, pois cada cidade tinha os seus jogos, por exemplo:

  •  Em Atenas esses jogos eram as Panateneias,
  •  Em Corinto eram chamados de Jogos Ístmicos,
  •  Em Delfos eram os Jogos Píticos
  •  Em Argos eram os Jogos Nemeus.

Estes conjuntos de jogos, juntamente com os Jogos Olímpicos que se realizavam em Olímpia, perto de Elis, ficaram conhecidos como os jogos pan-helénicos. “

E onde ou em que condições se praticava desporto?

“ Com ele deu-se o aparecimento de estruturas arquitectónicas adequadas á sua prática, pois os primeiros vestígios da civilização grega aparecem como pequenos núcleos urbanos com um estatuto de cidade-estado, mas as lutas internas e as rivalidades entre cidades, destruíram o seu poder político e militar e as guerras “Del Peloponeso” acabam com Atenas, mas mesmo assim a sua tradição cultural expandiu-se por grande parte do Império Romano, onde apesar de estes não darem tanta importância aos benefícios do desporto nas pessoas também possuíam características na sociedade que demonstravam uma sociedade desportiva.

Temos os exemplos das lutas de gladiadores no coliseu, as corridas nos hipódromos e as termas que eram locais onde os cidadãos faziam a sua preparação física.

Estas são infra-estruturas de grande e médio porte que vão surgindo por todo o mundo romano.

2 Guerra “ Del Peloponeso ”: foi um conflito armado entre Atenas (centro político e civilizacional por excelência do mundo do século V a.C.) e Esparta (cidade de tradição militarista e costumes austeros), de 431 a 404 a.C. Sua história foi detalhadamente registada por Tucídides e Xenofonte. De acordo com Tucídides, a razão fundamental da guerra foi o crescimento do poder ateniense e o temor que o mesmo despertava entre os espartanos. A cidade de Corinto foi especialmente actuante, pressionando Esparta a fim de que esta declarasse guerra contra Atenas.

Posteriormente ao Império Romano, durante todo o período medieval a nobreza que tinha como principal preocupação a guerra, vai ocupar todo o tempo de defesa em actividades físicas, como a caça ou os torneios para exercitar as suas características físicas necessárias para estas práticas, mas quase em todos os castelos havia grandes espaços que eram destinados a estas práticas, o que tornava mais fácil o acesso às infra-estruturas destinadas a essas funções e fazia com que a prática da actividade física fosse uma espécie de obrigação.

Mais tarde, entre os séculos XVI e XIX uma das práticas desportivas mais praticadas pelas classes privilegiadas era a esgrima, que também se realizava em espaços próprios e com o apoio de professores que preparavam os jovens de modo a torna-los ágeis física e mentalmente, ao preverem os golpes do adversário.

Muito poderíamos escrever sobre os espaços onde se realizaram ao longo dos tempos actividades desportivas, mas não devemos esquecer também que desde a antiguidade clássica houve uma preocupação crescente sobre a planificação das cidades.

A arquitectura desportiva, que nasce e evolui ao mesmo tempo que o desporto e anda quase que em paralelo com este, pois á medida que os tipos de desportos evoluem, as suas infra-estruturas também evoluem, crescendo consoante as necessidades de cada um e em determinadas cidades fazendo parte destas e sendo elementos importantes para o seu crescimento em vários sentidos, como por exemplo no crescimento urbanístico das cidades, pois com a evolução do desporto e com as proporções que as suas infra-estruturas atingem nos dias de hoje, estas duas actividades, desporto e arquitectura tornam-se num elemento evolutivo para o crescimento das cidades que os acolhem, temos o exemplo das cidades que acolhem os jogos olímpicos, que se transformaram em grandes núcleos desportivos e ganharam nas questões urbanísticas resolvidas através dos planeamentos realizados para as obras em causa, na cultura que cresceu e se expandiu pelo mundo, na economia que ganhou com a chegada de turistas, atletas e visitantes e até mesmo o poder politico do país em questão, cresce com todos os investimentos que se fazem em torno das propriedades destes jogos e da arquitectura que se desenvolve através deles, transformando assim as cidades e construindo-lhes novas identidades, quase como se nascessem de novo, com um rosto lavado e um novo sentido de desenvolvimento.

Podemos então afirmar que na actualidade o desporto possui cada vez mais um papel importantíssimo na nossa sociedade, focando-se na sua vertente saudável, como promotor da saúde e do melhoramento das relações sócio-afectivas e económicas, sendo um “choque” de civilizações e promoção de Paz. “


Este artigo foi cedida pela arquitecta Marta Martins e foi retirado da Tese de Mestrado "As cidades do Desporto - As arquitecturas do desporto na construção de uma identidade urbana". Segue o seu cartão caso alguém a queria contactar:

 

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