“ Na antiguidade Atenas era a maior e mais rica cidade da Grécia, onde predominava a prática do desporto.

Acrópole de Atenas, uma típica Pólis grega.

 (Acrópole de Atenas, uma típica Pólis grega.)

Os gregos tinham conflitos e diferenças entre si, mas muitos elementos culturais em comum, falavam a mesma língua e tinham religião comum, que se manifestava no culto dos mesmos Deuses.

Em Atenas a educação era um elemento fundamental, os atenienses eram instruídos para cuidarem, não só da mente como também do corpo e para isso praticavam o desporto, o que lhes dava vantagem na hora da guerra, pois além de serem bons guerreiros, eram também bons estrategas.”

Praticando a luta na palestra de um ginásio. |Baixo-relevo. Séc. VI a. C. À direita, o mestre orienta o exercício com uma vara.

 (Praticando a luta na palestra de um ginásio. |Baixo-relevo. Séc. VI a. C. À direita, o mestre orienta o exercício com uma vara.)

Com o evoluir do desporto e dos jogos dá-se o aparecimento dos Jogos Olímpicos!

Em Olímpia

“ É um lugar sagrado na Grécia, localizada no vale do rio Alpheus, no Peloponeso e é famosa por ter sido o local onde se realizaram os Jogos olímpicos da Antiguidade, sendo na altura uma cidade de uma importância comparada com Delfos, onde se realizavam os jogos Pítios.

Os jogos em Olímpia datam de 776 a.C. e chamavam-se Jogos Pan-helénicos e a partir da primeira data em que se realizaram, passaram a realizar-se com uma periodicidade de quatro anos, tempo que passou a ser denominado como uma Olimpíada.

Olímpia era também conhecida pela gigantesca Estátua de Zeus, em marfim e ouro, criada pelo escultor Fidias, para o templo do Deus, localizado na cidade e que se tornou numa das sete maravilhas do mundo antigo. “

Reconstrução da Estátua de Zeus de Fídias num desenho de Maarten van Heemskerck

 (Reconstrução da Estátua de Zeus de Fídias num desenho de Maarten van Heemskerck)

 “…, de quatro em quatro anos, uma trégua era anunciada por toda a Grécia, reunindo as pessoas que vinham de todas as partes da Grécia, em Olímpia, com a finalidade de competir e assistir aos jogos.

O prémio para o vencedor era o “kotinos”, feito a partir de uma coroa de flores silvestres de oliveira.

Embora a primeira data que se aponta para o inicio dos Jogos tenha sido em 776 a.C., quando é considerada a primeira Olimpíada, organizada pelas autoridades de Elis, os Jogos foram praticados desde tempos muito antigos e segundo a tradição, foram prorrogados por Hércules.

As olimpíadas devem seu nome à cidade que as acolhe, Olímpia, e nestas apenas os gregos livres podiam participar e vinham gregos de várias regiões, mesmo que fossem de tão longe como do mar Cáspio e da África, estes vinham para competir e para assistir aos jogos, até mesmo filósofos, sábios e heróis assistiam a estes Jogos.”

“ O facto dos primeiros jogos da Era moderna terem acontecido na Grécia, não foi um facto acidental, foi devido a Olímpia ser o Berço dos Jogos Olímpicos e também não foi acidental o facto de ter sido a Grécia, a primeira na história a realizar estes jogos, pois os jogos foram produto de uma civilização que se considerava superior às outras, em que os cidadãos livres estavam a honrar os seus Deuses, que por sua vez, os tinham favorecido com força e glória.

Foi por volta de 560 a.C. que se construiu nos terrenos de Olímpia o primeiro estádio, como uma simples faixa de terra, que foi remodelada 60 anos depois com a adição de elevações laterais para os espectadores.

Estádio de Olímpia

(Estádio de Olímpia)

Olímpia conheceu o seu esplendor no período clássico, entre os séculos V e IV a.C., no qual foram erguidos vários novos edifícios, sacros e seculares, como o Templo de Zeus, foi também neste período que as estruturas desportivas foram ampliadas e completadas.

Já em finais do século IV a.C., apareceram estruturas como a Palestra, o Gymnasion, as casas de banhos, a cripta e uma passagem de arcos, ligando a entrada do Santuário ao Estádio.

Arco do túnel principal do estádio de Olímpia, local onde ocorriam provas de corrida e lutas.

 (Arco do túnel principal do estádio de Olímpia, local onde ocorriam provas de corrida e lutas.)

Mas foi na Era Romana que os jogos em Olímpia só se deram até ao ano de 393, quando um decreto de Teodósio I, imperador cristão baniu os jogos.

 Actualmente Olímpia não foi esquecida, com a reconstituição dos Jogos Olímpicos, a Chama Olímpica acende-se de quatro e quatro anos no restaurado estádio de Olímpia, utilizando a luz do sol reflectida por um espelho parabólico e essa chama vai depois acender uma tocha que percorre o mundo até ao local da realização dos Jogos dessa Olimpíada.

Actriz grega vestida de sacerdotisa, acende o fogo  Olímpico com a ajuda do espelho parabólico, nas ruínas da antiga Olímpia.

 (Actriz grega vestida de sacerdotisa, acende o fogo  Olímpico com a ajuda do espelho parabólico, nas ruínas da antiga Olímpia.)

Na antiguidade, os preparativos da festa, começavam dez meses antes da abertura dos jogos, com a nomeação de uma comissão organizadora, que além de todas as responsabilidades pela organização dos jogos, eram também os seus juízes.

Antes da abertura dos jogos, os arautos Spondophóroi, divulgavam por toda a Grécia a trégua sagrada, que suspendia as guerras por três meses, com o intuito de proporcionar uma viagem segura aos cidadãos que se deslocavam a Olímpia.

As provas nesta altura consistiam em competições de exercícios corporais de força ou agilidade, dividiam-se em concursos gímnicos e concursos hípicos.

Os concursos gímnicos realizavam-se no Estádio e eram compostos pelas corridas, simples, duplas, de fundo e com armas, o pugilato, o pancrácio e o pentatlo.

Os concursos hípicos aconteciam no hipódromo e compreendiam as corridas de carros e o hipismo.

Além das provas atléticas, havia concursos de tocadores de corneta e concursos de arautos, com a finalidade de premiar os que tivessem maior força e capacidade pulmonar.

Para os vencedores das provas, a vitória era uma honra, não só para o atleta como para a sua família e cidade natal, o seu prémio era uma coroa de folhas de Oliveira, mas o que importava realmente era a aclamação do público e o prestígio que traziam para a sua cidade.”

  

Este artigo foi cedida pela arquitecta Marta Martins e foi retirado da Tese de Mestrado "As cidades do Desporto - As arquitecturas do desporto na construção de uma identidade urbana". Segue o seu cartão caso alguém a queria contactar:

 

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