Como chegaram os jogos da civilização grega aos nossos dias?

“ O desporto e os espectáculos públicos tiveram um peso sócio cultural bastante importante na cultura romana, nomeadamente na época imperial.

A política romana, ao considerar o trabalho como algo que não devia ser feito pelo cidadão, mas sim pelo numeroso conjunto de escravos que existiam em abundância na totalidade do Império, o que levou á formação de uma numerosa população turbulenta e perigosa para a qual se devia criar entretenimento.

“Pão e circo”, é a máxima que qualquer governante não deveria esquecer, para criar ordem nas cidades, por esse motivo estas eram dotadas de infra-estruturas onde o desporto se desenvolvia a par do espectáculo.

Dessas infra-estruturas aquelas que eram constantes em todas as cidades importantes eram as termas, os anfiteatros ou coliseus e os circos.

Nas primeiras existiam grandes piscinas, salas para conferências, jardins, salas de reuniões e bibliotecas.

Termas romanas fechadas

(Termas romanas fechadas)

 

Os romanos, tal como os gregos davam especial atenção ao culto do corpo, tornando o banho num verdadeiro ritual, em que numa primeira fase entravam no lacônicum, um ambiente em que a temperatura atingia os 60º e que ajudava a transpirar, depois tomavam banho de imersão no calidárium, uma piscina de água a temperatura bastante tépida e por último o frigidarium, onde se retemperava o corpo utilizando um banho frio que revigorava todos os músculos.

Era depois desta preparação do corpo, que se preparavam para fazer exercícios físicos e mentais nos espaços adequados nas termas.

Os anfiteatros ou coliseus eram geralmente de forma circular, podiam comportar milhares de espectadores, para assistirem a combates de gladiadores, lutando uns com os outros ou com feras, nestes espaços, eram ainda encenadas cenas de batalhas terrestres e marítimas e ainda cenas de caça.

Maqueta do Coliseu de Roma

(Maqueta do Coliseu de Roma)

Anfiteatro Flávio - Coliseu de Roma - Coliseum

(Anfiteatro Flávio - Coliseu de Roma - Coliseum)

Pelo tipo de actividades realizadas, podemos concluir que já nesta época este tipo de práticas desportivas, contribuíam para um desporto de massas e os arquitectos romanos ao idealizarem estes espaços preocupavam-se com a segurança, sobretudo ao criarem corredores de saída que proporcionavam, como por exemplo, no Coliseu de Roma, que levava cerca de 50000 espectadores, a evacuação total do recinto em cerca de quinze minutos.                                                   

Os circos eram espaços vastos de formato quadrangular e ficavam situados em locais que podiam aproveitar as condições naturais do terreno para a construção das bancadas, levavam também milhares de pessoas, que assistiam a lutas corpo a corpo semelhantes ao boxe e à hoje, luta greco-romana.

Circus maximus em Roma

(Circus maximus em Roma)

Mas os maiores espectáculos eram as corridas de carruagens, como as utilizadas pela cavalaria romana nos combates, conduzidas por dois ou quatro cavalos.

Nestes espaços aconteciam também registos de apostas e neles chegaram a perder-se grandes fortunas.

De todos estes espaços, no período medieval, foi talvez o circo, não como construção arquitectónica, mas de formato e condições naturais idênticas para a escolha de locais, os espaços onde se realizavam os torneios.

Estes eram combates organizados em tempos de Paz, para preparar os guerreiros para os combates quer a pé, quer a cavalo e os utensílios utilizados por aqueles que os praticavam, eram bastante semelhantes aos utilizados em situações reais de combate.

Posteriormente, já durante o renascimento, o desporto entendido como necessidade para manter o corpo são, faz parte dos currículos escolares.

O homem do renascimento deve ser tão bom esgrimista, como pintor, escultor, musica ou astrónomo.

Nos séculos posteriores, são referidos em documentos e obras literárias que os jogos de destreza foram uma constante e que os jardins e parques foram utilizados como zonas de lazer e prática de variados jogos.

Perante todos estes testemunhos, poderemos concluir que o desporto marcou ao longo dos tempos a vivência do Homem em sociedade e não será de estranhar que no século XIX se pretenda dar ao desporto um cunho especial, fazendo reviver o espírito Olímpico da cultura Grega. 

Em 1896, um aristocrata francês, Barão de Coubertin, recuperou os jogos tentando reavivar o espírito das primeiras Olimpíadas, como em período de paz e harmonia entre as nações participantes, que passaram a ser realizadas de quatro em quatro anos, como na tradição grega, tendo apenas sido interrompidas pela primeira e segunda Guerra Mundial.

Os jogos foram ganhando força, importância e visibilidade para o mundo e por isso foram usados também como cenário de confrontos políticos e reivindicações políticas.

O mundo que existia em 1896, quando se retomaram as Olimpíadas era diferente da realidade grega, eram grandes países em vez de cidades-estado e tinham realidades culturais diversificadas, o que não existia no mundo grego que era culturalmente homogéneo.

Em 1896, quando o Barão Pierre de Coubertin pensa em retomar os Jogos Olímpicos como forma de celebrar a Paz entre as nações, o seu país tinha acabado de ser humilhado numa guerra com a Alemanha e é por isso que este lança sucessivos apelos às entidades desportivas dos países mais poderosos da Europa para voltarem a realizar as competições à semelhança das da civilização da antiguidade, com intuito de promover a Paz entre as nações, pois na antiguidade as cidades abandonavam todos os conflitos político-militares quando chegava a época dos jogos.

As cidades que serviram de palco aos Jogos Olímpicos além de sofrerem várias alterações para a preparação destes, foram submetidas a uma escolha rígida feita pelo Comité Olímpico Internacional e essa escolha é feita ainda hoje em duas etapas.

Na primeira são analisados onze critérios e as cidades candidatas recebem notas de um a dez.

A segunda etapa é mais exigente e aí são avaliados vários critérios, como o legado, apoio político, legislação, fronteiras, meio ambiente, finanças, marketing, locais de prova, para-olimpiadas, vilas olímpicas, saúde, segurança, acomodações, transportes, tecnologia, média e cultura.”  

Este artigo foi cedida pela arquitecta Marta Martins e foi retirado da Tese de Mestrado "As cidades do Desporto - As arquitecturas do desporto na construção de uma identidade urbana". Segue o seu cartão caso alguém a queria contactar:

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