"A minha primeira Maratona

Após meia dúzia de anos a fazer provas de 10 e 15 km e ainda algumas meias maratonas, aceitei o desafio para fazer uma maratona.

Os meus amigos, de treino, não paravam de me dizer que eu não conseguia fazer uma maratona, pois não passava de um atleta de 10Km. Creio que alguns sonhavam em ganhar-me, e já que não o conseguiam fazer em provas mais curtas, nada melhor que tentar numa maratona. Outros, simplesmente, desejavam que eu fizesse uma maratona e quem sabe treinasse com eles os treinos mais longos, pois penso que nenhum me tenha desafiado com o simples desejo de eu ficar à frente dele.

Aceite o desafio, tentei inteirar-me do que me esperava.

Falando com os meus amigos já experientes em maratonas, lendo artigos na internet, tentei dentro do possível, não descurar nenhum dos pormenores que qualquer prova merece mas que uma maratona exige.

Desde logo, tratei de arranjar um plano de treinos que considerei ser indicado para mim, tendo em conta o tempo que pretendia fazer.

De uma coisa desde logo me apercebi, pois todos com quem falava me diziam e em todos os artigos que lia era salientado, refiro-me ao chamado ‘MURO’ dos 30 Km. A falta de experiência no que quer que seja exige atenção redobrada sobre o assunto e a minha inexperiência em maratonas, deixou-me apreensivo. Como todos nós sabemos, uma coisa é ouvir, outra é sentir.

Início dos treinos.

Chegado o momento de iniciar os treinos para a minha primeira maratona, comecei a treinar com o grupo de atletas com quem geralmente treino, orientando-me, embora nem sempre, pelo meu plano de treinos.

Com o decorrer dos treinos, o grupo foi-se reduzindo ou porque os andamentos eram diferentes ou porque os planos de treino não coincidiam ou ainda porque era verão e não era fácil treinar com o calor.

Assim, comecei a treinar mais assiduamente com o meu amigo Aretino Mota, atleta reputado e com experiência em maratonas.

Durante a semana fazia treinos mais curtos, algumas séries, rampas, etc. Ao fim de semana, fazia os treinos longos, aproveitando aí para simular o que poderia ser a maratona, não só no que respeitava ao andamento, mas também a nível de hidratação. Como a época de treino apanhou o verão, não havia muitas provas para poder aferir o meu andamento. Ainda assim, fiz a prova do Tejo e do Destak, as duas antecedidas de um aquecimento de 15Km, onde pude verificar que o meu andamento estava dentro do que eu esperava.

O dia da verdade.

Chegado o dia da maratona, com o dorsal em meu poder, tudo estava planeado ao mais ínfimo pormenor. Modo de deslocação para a partida, da chegada para casa, equipamento testado, alguns suplementos adquiridos, em suma, parecia-me que tudo estava perfeito. Faltava, apenas, o mais importante que era, correr, correr bem e chegar ao fim.

A partida foi dada, e eu no meio de várias centenas de atletas, iniciei a minha primeira maratona.

Com um andamento confortável, pois a distância ia ser longa, os quilómetros foram passando. Sem dar por isso, já tinha feito meia maratona, só faltava outra meia. Tirando o calor que era bastante, tudo corria na perfeição, os quilómetros iam passando, e sem me aperceber já estava nos 34 km com um tempo que considerava ótimo para mim, tendo em consideração, não só, o que eu tinha planeado, mas também por ser a minha primeira maratona. Pensei para mim: está feito, já nada me vai impedir de fazer um bom tempo e o dito ‘MURO’ não existe.

Pura ilusão.

O ‘MURO’ existe mesmo e, sem qualquer explicação, quebrei o meu andamento de forma abrupta, dos 34 km até ao fim, pude sentir o que tinha ouvido dizer e lembrei-me das muitas vezes que tinha lido sobre o assunto.

A todos aqueles, que como eu, não têm experiência em maratonas ou nunca ouviram falar do ‘MURO’, trata-se de algo do género: vais a andar ao teu ritmo, aquele ritmo que consideraste ideal para fazer a maratona e sentes-te confortável. E……..eis que passas de 4.30/km para 5.30/km, sentes as pernas a não responderem, o cérebro a revoltar-se por sentir os minutos a passarem e os quilómetros cada vez mais longos, os objetivos a diluírem-se, mas...

Mas continuei, porque um objetivo era também chegar ao fim. Lá, já me esperava o meu amigo, Aretino Mota, que foi 2º - M50.

Assim, terminei a minha primeira maratona, que espero não ser a última. O tempo, não tendo sido o que esperava, foi o possível.

Fiz 03:18:18, fui 108 da geral e 2º no escalão M55.

Quis partilhar contigo a minha aventura da primeira maratona e também incentivar-te a experimentar.

Saudações desportivas

Almiro Feijão"

 

O artigo que apresentámos vem no seguimento de uma rubrica que lançamos no site onde atribuímos destaque aos atletas de pelotão (De Sedentária a AtletaA paixão pela Maratona).

O tema desta edição diz respeito às emoções sentidas numa maratona. Para além do prazer de realizar e acabar esta prova, o esforço, dedicação e empenho realizados durante os treinos, geram, na melhoria física e psicológica do atleta, um ganho verdadeiramente notável.

Gostaríamos de obter, por parte de quem realiza esta dura prova, as suas impressões e experiências. Esperamos com isto conseguir motivar mais atletas para a realização daquela que é a prova rainha do atletismo. Como motivação extra iremos sortear, de entre os participantes que alinharem nesta escrita, um prémio no final do ano. Envia-nos os seus textos para Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. indicando o teu login de registo no site. O primeiro contributo pertence a Almiro Feijão, atleta que pode ser identificado na fotografia do início do artigo, guiando, a essa altura, o pelotão das 3h15m.

mcl 

Provas disponíveis 

(km)< 2142> 42Total
Portugal 629 4 115 748
USA 0 376 0 376
Brasil 62 0 0 62
Canadá 0 56 0 56
Outros 0 51 0 51

Número total 1293 provas disponíveis

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