Inspirar e expirar. A atividade que fazemos naturalmente a todo o momento mesmo sem darmos conta, ganha um destaque especial dentro do mundo do desporto, especialmente na corrida. 

Durante o exercício físico, o consumo de oxigénio chega a ser 16 vezes superior que em repouso.

A frequência da respiração passa de 12 a 16 para 40 a 50 vezes por minuto com o objetivo de fornecer o oxigénio e liberar o dióxido de carbono produzido pelo corpo – processo conhecido como hematose pulmonar. O objetivo durante o exercício é igualar o volume de gases dessa troca. Além disso, a respiração é também responsável por auxiliar a refrigeração do organismo, mantendo-o em temperatura adequada.

Com o aumento da necessidade de oxigénio, o padrão de respirarmos pelas narinas e de forma superficial, sem envolver o diafragma, não é suficiente, exigindo a respiração pela boca. Entra em jogo também a chamada “respiração pela barriga”, processo que permite que mais oxigénio entre nos pulmões, e envolve o músculo do diafragma, que é puxado para baixo de forma que os pulmões se expandam, abrigando um volume maior de ar.

Padrões de respiração

Durante a corrida, as passadas e a respiração têm uma relação maior do que você pode imaginar. Existem pesquisas, por exemplo, que comprovam que o treino respiratório é capaz de aumentar a performance de um atleta em mais de 4%. Quando o pé atinge o chão, as leis da física entram em ação e corpo todo tende para baixo devido ao momentum e à gravidade. O diafragma também é afetado e, ao ser puxado para baixo, aumenta a capacidade dos pulmões, tornando este o melhor momento para que a inspiração aconteça.

Habitualmente os padrões de respiração podem variar de 3/3 (inspirar, três passos, expirar, três passos) ou 2/2 (inspirar, dois passos, expirar, dois passos), ou até mesmo 3/2 ou 2/3 dando mais enfase à inspiração ou expiração. Um padrão de respiração de 1/1 não é aconselhável pois leva a hiperventilação. No extremos oposto uma padrão superior a 3/3 é também desaconselhável pois não permite uma libertação ótima do dióxido de carbono.

Estes padrões estão também associados aos diferentes ritmos de corrida, sendo o 3/3 utilizado em treinos mais lentos. À medida que o ritmo da passada aumenta é frequente assistir a um aumento do padrão de respiração.

Sincronizar cada passada com a respiração é uma tarefa complicada. Dessa forma, prestar atenção à respiração durante a corrida e procurar encontrar o padrão certo consoante a passada é uma tarefa árdua.